JEQUICE "INTERNATIONAL"

Jefferson Severino (jornalista)

Andando pelas ruas do Brasil, me deparo sempre com todo tipo de coisas, cores, sabores, temperos, gente...

Mas de repente: "Adidas Outlet".

Olhei para dentro e a loja estava apinhada de gente com caixas, sacolas e outras coisas mais.

Pelo movimento intenso, eu pensei que os preços poderiam estar muito baixos e resolvi entrar.

As seções da loja eram marcadas como "Men Training", "Woman Training", "Running", "Outdoor", "Shoes" etc.

Entre uma seção e outra, eu ouvia as pessoas falando "craro minha fía", "aaai qui chic", "tô cum poblema no cartão", "sigura a sacola", "vô comprá menas coisa hoje" e outras demonstrações inequívocas de imensa "familiaridade" com a língua portuguesa.

Olhando aquilo, me veio à mente o pensamento de que o brasileiro é um povo prostituído e prostituível, que não tem nenhuma estima pelas coisas verdadeiramente preciosas do seu país, como a língua pátria.

Instalar uma loja de roupas e calçados esportivos em uma rua do Brasil e tacar lá uma porção de placas em inglês devia causar, pelo menos, um incômodo às pessoas. Afinal de contas, independentemente da nacionalidade de uma marca, é uma demonstração de respeito para com o país, na qual se instalou essa marca, que anuncie os produtos em língua vernácula.

No entanto, não há incômodo algum. Os consumidores gostam de olhar a vitrine com "50% Off", acham "chic" comprar "shoes" e praticar atividades "outdoor", mesmo não conseguindo escrever um texto de três linhas em inglês ou manter um diálogo de três minutos nessa língua.

Tenho observado também no facebook a mania de se comunicar com patrícios brasileiros em línguas estrangeiras.

Muitos (a maioria...) escrevem em um português sofrível, errado, sem concordância alguma, repetem chavões prosaicos e ridículos, mas tocam lá frases em inglês e em outras línguas, só para mostrar ao mundo o quanto são "refinadas" e "elegantes". Isso sem contar a mania de enfiar palavras em inglês no meio de uma frase em português, como o nojentíssimo "hello", "yes", "I think that" e outras brejeirices típicas de um povo sem auto-estima e sem respeito próprio.

Sei que esse tipo de gente não aprecia muito receber conselhos, mas, de qualquer maneira, os darei.

É ridículo, brega, cafona, brejeiro, caricato, campônio (no pior sentido da palavra), jeca, enodoado, filaucioso, iludente etc., usar língua estrangeira para se comunicar com que fala sua língua pátria em seu próprio país.

A boa etiqueta recomenda que, em país alheio, se fale, diante dos nativos, na língua deles, mesmo quando se fala com alguém que sabe sua língua natal.

Sendo assim, quando estrangeiros radicados no Brasil começam a se comunicar em língua estrangeira, diante dos brasileiros, é uma estrondosa demonstração de falta de educação e de respeito.

Da mesma forma, quando dois brasileiros estão nos E.U.A. ou na Inglaterra, com norte-americanos ou ingleses presentes à conversa, é de bom tom que se fale em inglês, para que todos entendam o que está sendo falado.

Dois brasileiros trocando mensagens em inglês, em espanhol, em chinês, em japonês ou em qualquer outra língua, é caipira demais e demonstra, não cultura, mas uma extrema falta de intimidade com as regras mais básicas da etiqueta e da cordialidade, além de ser uma forma de depreciar a própria língua e demonstrar a xenofilia exacerbada típica de pengó delambido que adora louvar o que é dos outros sem conhecer o que é dele.

Para mim, uma marca que estampa "outlet" numa loja brasileira, já começou mal.
Não existe essa palavra em português. O equivalente seria "saldão", "queima de estoque", "liquidação" ou coisa equivalente.

Também não tem essa de "off". Aqui é 'desconto' mesmo. E eu não uso "shoes", uso tênis, não uso "costume", uso traje, vestuário, roupa e também não pratico esporte "outdoor" mas sim esportes ao ar livre.

Ah, sim, e os preços do tal saldão eram uma droga. Tudo um assalto de tão caro. Não comprei nada.

Uma última informação: No Budismo, o povo é tão pela-saco de estrangeiro que inventam palavras novas para imitar o que o estrangeiro diz.

Falam "guru-bead" em vez de "conta mestra" para falar da conta maior do rosário budista. Isso sem contar a veadagem de "Buddha" e "Buddhismo"

A palavra "Buddha" não existe em português. "Buddhismo" também não. É Buda e Budismo.

E não adianta vir falar que é para "manter a raiz" do sânscrito porque não é mesmo.

Em sânscrito, a raiz é "BUDH", mas as palavras derivadas variam . Budismo, por exemplo, é "Baudha" e não "Buddhi" (que é o intelecto discriminativo). Como mostrei, a raiz mesmo só tem um "d" e não dois. Além disso, em todas as culturas em que se estabeleceu o Budismo, as palavras foram traduzidas. "Butsu" e "Bukkyô" em japonês, "Fotuo" e "Fojiao" em chinês, "Sangye" em tibetano etc., mas a mania de imitar os outros faz o povo escrever "Buddha", "Buddhista" e "Buddhismo", no entanto, os mesmos que falam do "Buddha" recitam "Namu kie BUTSU..."( Homenagem ao Buda) e "Namo Omito FO" (Homenagem ao Buda Amitabha). Por que em japonês e chinês pode e em português não? Ah, vão se lascar...

Outra hora quero contar o que vejo e ouço nos aeroportos. Nem ousou mais fazer um cruzeiro. Não por estar barato ou sem a merda do tal glamour que estou pouco me lixando. É que não tenho mais saco pra tanta futilidade e demostração de pura idiotia além de falta de educação. Só pra dar uma palhinha: Prestaram atenção bem na hora que o "bando" se dirige aos "buffets" a bordo? Colocam em seus pratos uma montanha, de tudo um pouco, como se fosse a última refeição. Comem de suar e bebem até cair, pois afinal de contas é tudo "all inclusive".

Jeff







Quanta frescura e quanta cafonice...Já o português vai "bem":


Será que a "mudura" é cara?

Glúteos em todos os produtos
Motéu çenssual

E o inglês é castiço:


"Pida" já, "tapióca" e "quebra queicho" :
SuLflair:

"Bancon" e "ergues" são alimentos gordurosos , very "féti", mas o "mixto" é bom :

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