O RETIRO DE ANA PAULA ARÓSIO
walcyrcarrasco
A atriz Ana Paula Arósio retirou-se para seu haras no interior de São Paulo. Não tem aceito convites para tv – pelo menos um, milionário. Desistiu de participar da montagem da peça “Macbeth”. Todo mundo se espanta. Eu a admiro.
É preciso uma grande dose de coragem pessoal para desistir da fama. Papéis não faltam a Ana Paula. Poderia ter sido protagonista da novela “Insensato Coração”e desistiu no início das gravações. Prefere ficar isolada.
Para a maioria das pessoa, é uma loucura. A fama é considerada um bem em si. Todos os dias recebo emails, telefonemas, mensagens pelas redes sociais de gente que quer entrar para a televisão e tornar-se famosa. Vejo atrizes que já foram famosas ou pelo menos conhecidas há alguns anos percorrerem os estúdios de tv em busca de um papel, por menor que seja. A condição financeira de algumas é estável. Mas não suportam ficar longe dos holofotes. A fama é pior que um vício, uma vez experimentada. Por isso a atitude de Ana Paula parece tão incompreensível aos olhos de todos.
Terá algum motivo secreto? — perguntam.
Quem vive a fama às vezes sente dificuldade em carregá-la. O assédio é enorme. Boa parte do tempo é exigido para aparecer, dar entrevistas. Ir ao aeroporto implica em participar de uma sessão de fotos. Se conhece alguém, em vez de relaxar, a pessoa famosa é submetida a uma rajada de perguntas sobre a vida artística e a televisão. A mulher tem que estar sempre linda, bem vestida, simpática, sorrir para todos.
Ana Paula deve ter se perguntado: vale a pena tudo isso?
Eu a conheci aos 20 quando estreou no teatro, com minha peça Batom. Já trabalhava como modelo desde os 12. Era aplicada. Estudava de manhã na universidade. Estava sempre acompanhada pela mãe, Claudete, que funcionava como um escudo contra os inúmeros assédios masculinos. Uma vez, jantando com ela e amigos, presenciei quando recebeu quatro ou cinco cartões de frequentadores do restaurante, trazidos pelo garçom. Ela nem lia. Entregava para a mãe. Mais tarde tornou-se famosa como atriz. Imagino o assédio, pois sempre foi belíssima. Imagino também o que é viver assim, sentindo-se assediada o tempo inteiro, encarada apenas como um bom filé mignon.
Ana Paula tem uma genética maravilhosa. Olhos de gata, traços felinos. Mas manter a beleza também dá trabalho. Eu, que não gosto nem de secar cabelo (e uso bem curto) imagino o que é passar boa parte da vida tratando a pele, do peso, das unhas.
Agora, segundo declarações de sua mãe, que li na internet, Ana Paula está “relaxada”.
Faz muito bem, Ana Paula. Depois de tantos anos sendo obrigada a ser bonita, deve ser delicioso comer à vontade, não se preocupar com os cabelos , esturricar no sol, se quiser. E você tem razão: ninguém é obrigado a ser famoso.
A sua atitude é uma lição de vida. Todo ser humano deve procurar a felicidade da maneira que achar melhor.
Se Ana Paula deseja ficar no seu canto, seja por algum tempo ou para sempre, é com ela. O que importa é que seja feliz.
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