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O oncologista José Rodrigues Pereira, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, destaca as dez dúvidas mais comuns dos pacientes quando o assunto é câncer de mama. Segundo o especialista, o acompanhamento médico e a realização da mamografia a partir dos 40 anos são fundamentais para um bom prognóstico. Ele alerta também que o diagnóstico precoce aumena as chances de cura em até 95%.
1) O que causa o câncer de mama?
Há diversos fatores que aumentam o risco de desenvolver um câncer de mama: sexo feminino, idade superior a 40 anos, raça branca, aumento da densidade mamária na mamografia, obesidade na pós-menopausa, primeira menstruação antes dos 13 anos, menopausa tardia, ausência de gestação ou gestação em idade tardia (depois dos 35 anos), terapia de reposição hormonal na pós-menopausa, história pessoal de câncer de mama, número de parentes de primeiro grau com câncer de mama e frequente ingestão de álcool em doses moderadas a altas.
2) Ele é hereditário?
Apesar de portadoras de câncer de mama citarem outros familiares com o problema, apenas 10% dos casos podem apresentar mutações genéticas hereditárias, como o BRCA1 e BRCA2.
3) O uso de anticoncepcionais ao longo da vida pode contribuir com o problema?
A relação entre o uso de anticoncepcionais orais e o aumento no risco de câncer de mama ainda é controverso. Estudos epidemiológicos com milhares de mulheres não demonstraram aumento significativo no risco de câncer de mama. Além do mais, os anticoncepcionais atuais possuem dosagem hormonal inferior aos que eram usados antigamente.
4) Homem tem câncer de mama?
O câncer de mama no sexo masculino é raro e representa 1% de todos os casos diagnosticados. A incidência em mulheres chega a ser 100 vezes maior do que em homens.
5) Como o câncer de mama é diagnosticado?
O rastreamento de câncer de mama com mamografia anual é indicado em mulheres a partir de 40 anos, conforme recomendado pela Sociedade Brasileira de Mastologia. Nos casos suspeitos, a confirmação do diagnóstico de câncer de mama é feito por meio da biópsia de lesões identificadas na mamografia, ultrassom, ressonância mamária ou exame clínico.
6) O autoexame é capaz de detectar todos os tumores?
Não, menos de 10% dos tumores de mama são identificados por meio do autoexame. Ele não deve ser considerado como substituto à realização da mamografia porque não foi demonstrada redução da mortalidade por câncer com essa prática. Mas, nem por isso deve ser abandonado, pois o autoexame pode  reduzir o número de casos avançados.
7) Todo nódulo na mama pode virar câncer?
Aproximadamente 90% dos nódulos de mama palpáveis em mulheres entre 20 e 50 anos são benignos, como os fibroadenomas, cistos ou necroses do tecido adiposo. Algumas características clínicas, como inchaço da pele, retração cutânea, ulceração e sangramento pelo mamilo podem indicar a presença de câncer de mama.
8) Como é o tratamento?
Existem cinco modalidades de tratamento que devem ser avaliadas conforme as características de cada caso: cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonoterapia e terapias -alvo. A cirurgia é a base do tratamento curativo. Ela pode ser conservadora, quando preserva a mama, ou radical, quando há a retirada da mama e do mamilo. A radioterapia é um tratamento complementar para reduzir o retorno da doença. A quimioterapia, que também é um tratamento complementar, além de reduzir a recidiva do câncer, também diminui a possibilidade de metástase em outros órgãos. A hormonoterapia bloqueia o estímulo dos hormônios femininos sobre as células tumorais e está  indicada para as pacientes com tumores que expressam receptores hormonais. Trastuzumabe é uma terapia-alvo indicada para pacientes com superexpressão da proteína HER2 no tumor.
9) Quais as chances da doença voltar?
Quanto mais precoce for diagnosticado o câncer de mama, maior a chance de cura. Tumores em estádios iniciais apresentam chance de cura em 80 a 95% dos casos Nos tumores em estágios avançados, a chance de cura cai para 50 a 70% dos casos.
10) É possível prevenir o câncer de mama?
Algumas medidas podem reduzir o risco de câncer de mama. A amamentação pode reduzir o risco em 4,3% para cada 12 meses dessa prática. A ingestão de alimentos ricos em fitoestrogênios, como soja (isoflavona) e as frutas (lignanas) também pode ter efeito protetor. A prática de atividade física regular e controle do sobrepeso na pós-menopausa também reduzem o risco. Além disso, deve-se evitar o uso de terapia de reposição hormonal na menopausa por período prolongado e a ingestão de grandes quantidades de álcool. Pacientes com lesões precursoras de câncer de mama podem ter o seu risco reduzido quando realizado o tratamento com tamoxifeno e outros inibidores estrogênicos por cinco anos consecutivos. Pacientes com mutações hereditárias BRCA1 e BRCA2, cujo risco para desenvolver um câncer de mama é de 50% ou mais, podem se beneficiar preventivamente da mastectomia profilática. Apenas um médico especialista poderá avaliar cada caso e indicar a melhor forma de prevenção ou tratamento da doença.