SOCIEDADE - GENTE QUE É NOTÍCIA - ENTRE O CONCRETO E A CONSCIÊNCIA...

     Entre o concreto e a consciência: a         humanidade que insiste em sobreviver

Há algo profundamente revelador na forma como uma cidade trata aqueles que nada têm. Não apenas em políticas públicas ou discursos oficiais, mas nos detalhes — no desenho dos espaços, nas escolhas silenciosas que determinam quem pode existir e quem deve desaparecer. Quando pedras são colocadas sob viadutos para impedir que pessoas durmam, não se está apenas reorganizando o espaço urbano. Está se fazendo uma declaração moral. A mensagem é clara: certos corpos são indesejáveis. Mas quem são essas pessoas que hoje são tratadas como “problema”, como “incômodo”, como “praga”? São homens e mulheres que carregam histórias interrompidas — desemprego, rupturas familiares, dependência química, doenças mentais, falta de acesso a políticas públicas básicas. São, antes de tudo, pessoas. E o fato de estarem em situação de rua não as despoja de sua dignidade, nem de seus direitos. Transformar a pobreza em crime é uma solução conveniente, porém cruel. Em vez de enfrentar as causas estruturais da desigualdade, opta-se por esconder suas consequências. Pedras, grades, bancos inclinados e expulsões constantes são formas de maquiar a realidade — não de resolvê-la. A cidade fica “mais limpa”, mas à custa de uma violência silenciosa que muitos preferem não enxergar. O mais alarmante talvez não seja apenas a ação em si, mas o aplauso que ela recebe. Quando a exclusão passa a ser celebrada, algo essencial se perde no tecido social: a empatia. Naturaliza-se a ideia de que alguns merecem menos — menos espaço, menos cuidado, menos existência. Mas o direito à cidade não pode ser condicionado à renda. O espaço urbano é coletivo, e sua função deve ser acolher, não repelir. Políticas públicas eficazes existem e são conhecidas: moradia assistida, acesso à saúde mental, programas de reinserção no mercado de trabalho, acolhimento digno. Elas exigem investimento, planejamento e, acima de tudo, vontade política. O que não exigem é desumanização. É preciso lembrar: ninguém escolhe viver na rua como projeto de vida. E mesmo que escolhas difíceis façam parte dessa trajetória, isso não autoriza o abandono. Uma sociedade que pune a vulnerabilidade em vez de acolhê-la está, em última instância, punindo a si mesma. As pedras sob os viadutos não são apenas obstáculos físicos. São símbolos de uma cidade que prefere afastar a dor a enfrentá-la. Mas ainda há tempo de escolher outro caminho — um caminho onde a dignidade não seja privilégio, mas princípio. Porque, no fim, a medida de uma cidade não está em suas obras de concreto, mas na forma como ela trata os mais frágeis entre nós.


                 GENTE QUE É NOTÍCIA


 

Casal de engenheiros 
Jucelino Kellner e Juliane Spinello. 

Silvana Cipriani Paneitz
 

Laércio Lobermayer e advogada e professora Carla Hofmann
Em Joinville,  Edson  Busch Machado, diretor artístico do Instituto Internacional Juarez Machado 
e o advogado Flávio Perine 
Sentinelas da justiça - Advogadas Noely Araújo e Gilcélia Engler


Bodas de Diamante - Tradicional e exemplar casal, Marcos e Elisamir Schuhmacher, comemoraram 60 anos de  casados, na foto com os filhos Rodrigo, Kátia, Flávio e Paulo.


OFERECIMENTO -  Dedico a coluna de hoje para professora e doutora em língua portuguesa, Maria da Graça Albino de Oliveira.

"Um novo mandamento dou a vocês: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros."
- João 13:34

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