Sociedade - Gente que é notícia- Começando pelo fim: afinal, o que é ser feliz?
Começando pelo fim: afinal, o que é ser feliz?
No sábado pela manhã, ainda me recuperando de uma cirurgia em um dos pés, atrevi-me a percorrer algumas quadras no centro da cidade. Saí movido pela necessidade de caminhar, mas, sobretudo, pela curiosidade de sentir o clima de uma das eleições mais importantes do país.
Durante o trajeto, fui abordado por alguns cabos eleitorais que, no exercício de sua função, distribuíam santinhos e pediam votos para seus candidatos. Depois de dar uma volta na quadra, feito um velho frequentador da praça, sentei-me em um banco. Ali fiquei, observando o movimento e refletindo.
De repente, um conhecido se aproximou, cumprimentou-me e logo puxou conversa:
- Ainda bem que amanhã voltarei a ser feliz! - disse ele.
Percebendo rapidamente aonde aquela conversa chegaria, respondi:
- Eu já sou feliz!
Meio espantado, ele perguntou:
- Você é Lula?
Respondi afirmativamente. Não tive tempo sequer de me despedir: ele se escafedeu como quem acabara de ver um fantasma.
Dessa vez, quem ficou assustado e pensativo fui eu. Afinal, o que leva uma pessoa como aquela, que interrompera o meu sossego, a afirmar que deixou de ser feliz?
Como eu o conhecia, comecei a analisar sua vida. Ele é casado com uma bela mulher, tem filhos - que costumamos considerar nosso maior bem -, noras e netos, esses filhos "com açúcar". Possui propriedades, comércio e bens que representam o sonho de consumo de muita gente. Recebeu heranças, tem saúde, desfruta de boa posição social, é católico praticante - pois o vejo frequentemente na igreja - e torce pelo Athletico Paranaense. Pelo que demonstra, porém, identifica-se com a extrema direita e parece alimentar pouca simpatia pelos pobres.
Fiquei com pena. Será que nada do que a vida lhe proporcionou é capaz de fazê-lo feliz? Será que posso ajudá-lo de alguma maneira?
Embora possamos oferecer apoio e acolhimento a quem sofre, não nos cabe diagnosticar a infelicidade alheia. Quando há um sofrimento persistente ou problemas mais profundos, a ajuda de um profissional de saúde mental pode ser importante. Antes disso, porém, talvez seja necessário compreender que felicidade não é sinônimo de ausência de contrariedades, tampouco depende da vitória de um candidato.
A felicidade pode se manifestar de tantas maneiras que, por vezes, é difícil defini-la. A infelicidade, ao contrário, costuma ser mais fácil de reconhecer. Quantas pessoas aparentemente bem-sucedidas conhecemos que, apesar de terem muito, vivem amarguradas?
Talvez a felicidade dependa menos das circunstâncias externas do que imaginamos. Ela também nasce dos nossos hábitos, da forma como enxergamos a vida, dos vínculos que cultivamos e do sentido que atribuímos ao que temos. Não significa ignorar as dificuldades, mas impedir que acontecimentos passageiros - inclusive os políticos - assumam o controle completo de nossa existência.
A política é importante e interfere diretamente na vida das pessoas. No entanto, quando entregamos a nossa felicidade a um partido, a um candidato ou ao resultado de uma eleição, colocamos nas mãos dos outros algo que também deveria ser construído dentro de nós.
No fim, talvez ser feliz seja justamente isto: reconhecer o valor do que a vida nos oferece, sem deixar de lutar por aquilo que acreditamos ser melhor para todos.
GENTE QUE É NOTÍCIA
Gostamos de fotografias porque elas têm o poder de paralisar o tempo numa fração de segundo. Por isso, uma simples foto terá sempre o poder de nos trazer grandes recordações e de nos fazer chorar ou sorrir. Samuel Lopes
Paulo Junqueira e sua Gisele em momento de muita elegância
Ter fé é acreditar naquilo que você não vê; a recompensa por essa fé é ver aquilo em que você acredita.
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