SOCIEDADE - MEA CULPA OU VINGANÇA -GENTE QUE É NOTÍCIA
MEA CULPA OU VINGANÇA
No próximo domingo, o Brasil viverá mais um daqueles momentos decisivos de sua história: a eleição presidencial. Teremos a oportunidade de exercer livremente o nosso direito de escolher quem consideramos mais preparado para conduzir os destinos do nosso querido país. Uma decisão que exige consciência, responsabilidade e acima de tudo, respeito à democracia. Votar é um direito, mas também uma responsabilidade. É um ato que deve ser praticado com liberdade, sem ódio, sem rancor e sem a ilusão de que o adversário político seja necessariamente um inimigo pessoal. Queremos paz, união, prosperidade e o melhor para todos. Afinal, divergências fazem parte da democracia, mas o ódio não pode se transformar na razão de nossas escolhas. A história nos ensina que o amor constrói, enquanto o ressentimento, quando cultivado destrói pontes, amizades e até famílias. Antes de apertar os botões da urna, talvez fosse oportuno apertar outro botão: o da consciência. Faça uma reflexão sincera sobre seus pensamentos, suas palavras, suas atitudes e suas omissões. Avalie sua relação com o próximo e consigo mesmo. Reconheça seus acertos, mas tenha coragem de admitir seus erros. Antes de exigir que alguém peça perdão, experimente perdoar. Antes de apontar o dedo para os outros, olhe para a própria mão. E, principalmente, não terceirize suas responsabilidades. Não atribua a Lula, nem a qualquer outro político, a culpa por aquilo que você próprio fez ou deixou de fazer. Vamos recordar algumas situações? Não foi Lula quem estacionou seu carro em local proibido e recebeu a multa. Não foi Lula quem dirigiu acima da velocidade permitida e depois reclamou da fiscalização. Não foi Lula quem jogou lixo em frente à casa do vizinho, desrespeitando o espaço e a convivência com os outros. Não foi Lula quem trapaceou no jogo de pôquer com os amigos. Não foi Lula quem gastou mais do que ganhou e ficou devendo na venda da esquina. Não foi Lula quem deixou de fazer a lição de casa e depois saiu falando mal da professora. Também não foi Lula quem escalou o time que acabou rebaixado. Se o seu negócio fracassou por falta de planejamento, gestão ou competência, não se pode atribuir automaticamente a culpa ao presidente da República. E, se sua namorada o trocou pelo guarda da esquina, convenhamos: Lula também não pode ser responsabilizado por isso! A lista poderia continuar. São situações cotidianas, aparentemente pequenas, mas que revelam algo importante: temos uma tendência curiosa de reconhecer nossos méritos como conquistas pessoais e atribuir nossos fracassos a terceiros. Quando acertamos, somos competentes; quando erramos, alguém precisa pagar a conta. É claro que governos têm responsabilidades. Políticas públicas, decisões econômicas, corrupção, impostos, segurança, educação e oportunidades de trabalho influenciam diretamente a vida dos cidadãos. Nenhum governante está acima das críticas, e nenhum eleitor deve abrir mão de cobrar resultados, transparência e honestidade de seus representantes. Mas uma coisa é cobrar dos governantes aquilo que lhes compete. Outra, bem diferente, é usá-los como desculpa para fugir das próprias responsabilidades. A maturidade de uma sociedade começa quando seus cidadãos compreendem que a responsabilidade é compartilhada. O presidente não dirige o nosso carro, não administra todas as nossas escolhas, não decide como tratamos nossos vizinhos e não responde por cada uma de nossas atitudes. A política influencia nossas vidas, mas não substitui nosso caráter. Por isso, diante das urnas, vale uma pergunta incômoda: estamos escolhendo o futuro do Brasil ou apenas procurando alguém a quem atribuir nossas frustrações? Estamos votando com esperança, avaliando propostas, resultados e capacidades, ou estamos votando movidos pelo ressentimento, pelo desejo de revanche e pela necessidade de provar que o outro lado está errado? E aqui chegamos ao dilema do título: MEA CULPA OU VINGANÇA? O mea culpa exige humildade. Significa reconhecer a própria parcela de responsabilidade, abandonar desculpas e ter coragem de corrigir o que estiver ao nosso alcance. A vingança, ao contrário, alimenta a raiva e transforma o voto em instrumento de punição, ainda que o preço dessa escolha seja pago por toda a sociedade. Mas, se depois de toda essa reflexão você concluir que não tem culpa de absolutamente nada, que todos os seus problemas são responsabilidade dos outros e que não há qualquer atitude sua a rever, então talvez reste uma última alternativa: vingue-se! Reeleja Lula por mais quatro anos — se essa for sua escolha — e continue atribuindo a ele todos os seus tropeços, suas dívidas, suas decepções e seus fracassos. Assim, você poderá manter intacta a confortável certeza de que nunca errou e de que a culpa sempre esteve do outro lado. Naturalmente, a ironia vale para qualquer candidato e para qualquer campo político. Quem vota na direita, na esquerda ou no centro deve ter o mesmo compromisso com a honestidade intelectual e com a responsabilidade pessoal. Não existe ideologia capaz de transformar nossos erros em acertos, nem partido que nos dispense de responder pelas próprias atitudes. O voto é livre, e cada cidadão deve escolher de acordo com sua consciência. O que não podemos é permitir que a disputa eleitoral nos roube a capacidade de pensar, respeitar, reconhecer erros e conviver com quem pensa diferente. O Brasil não precisa de cidadãos que se considerem donos absolutos da verdade. Precisa de pessoas dispostas a construir soluções, respeitar as diferenças e compreender que o país é muito maior do que qualquer candidato ou partido. Vote com convicção, não com ódio. Cobre os políticos, mas cobre também de si mesmo. Assuma seus erros, reconheça seus limites e não transforme suas frustrações em uma guerra permanente contra quem pensa diferente. E, seja qual for o resultado das urnas, não se esqueça do essencial: a eleição termina, os mandatos passam, os partidos mudam, mas continuaremos sendo vizinhos, amigos, parentes e cidadãos do mesmo país. Afinal, a vida é curta demais para desperdiçá-la cultivando rancores e procurando culpados para tudo. Faça seu voto valer. Faça sua consciência falar. E, acima de tudo, não deixe de ser feliz!
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Rodrigo Eglinton Diener e Carla em giro pela Europa, frente ao coliseu em Roma


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